Via esta garota
12/20/2010
Já me sinto melhor.

E deixam-me assim, completamente vazia, arreada de sentido e com esta merda aos pés. Logo agora que já não sei ou não consigo escrever. É o que dá só ler em estrangeiro. Há-de levar-me longe esta mania lá de fora.
Não quero trabalhar, não quero comer, não quero sequer sentir a porcaria do teu cheiro. Quero continuar na miséria comum em que estava antes de me deparar com isto. Assenta em breve, sim, mas vou queixar-me antes. E muito, que isto dá sempre boa escrita, além de tornar o exorcismo mais eficaz.
Reciprocidade.
Zero. Zero de vivência comum que não seja comparticipada. Zero em semelhanças de carácter e/ou vivências (a não ser numa adolescência breve e tardia). Zero direcções futuras. Nem um pequeno almoço em comum.
Algo que motive a continuação destes serões mal encarados? Muito pouco a nada.
Mais,
Continuo a não trabalhar e apetece-me partir todos os ossos do teu corpo para depois entregá-los aos gatos da Madragoa. Mentira.
Cidade maldita, atrasada mental.
10/10/2010
Deste queixume congénito *

Quantas de mim serão precisas para me arrancar do chão? Provavelmente nenhuma. O chão é que está muito mal parado. Eu já cá andava, na horizontal.
Desde aquela última vez, continuo a falar demais, a pouco fazer e a ter as pernas pesadas. As varizes, que desenvolvi no tempo do windsurf, apenas agravam.
Numa boca cheia de maldicências, um copo de vinho, uma cerveja, um digestivo/aperitivo, tornam muitos dias, mais interessantes.
O amor está lá. A vontade também, mas quero muito ir embora, e que ele venha atrás, claro.
Viciada em adrenalina, ambientes pressurizados e imagens em movimento, dificilmente fico satisfeita com o cenário actual.
* viagens diárias com demasiados minutos no autocarro 748 - destino Miraflores - a braços com uma humidade cavernosa, fazem muito por mim e este humor de cão.
8/09/2010
Olha,
fui de férias, mas primeiro tive que trabalhar. Mas o trabalho não acabou realmente, e eu que decidi entrar de férias na quinta — de facto (porque não tenho acordos com ninguém) — só saí de Lisboa no sábado. Ora segunda, já depois daquela quinta sem férias e do fim de semana de hotel em troca de trabalho, ainda estava a trabalhar. Até à uma da tarde, quase.
Com a paz arrancada do SPA de domingo (3 horas de água quente, morna e muitas vezes fria) decidimos agarrar a missão praia, com unhas e dentes. Passámos na Vieira — coisa horrível, pobre, populosa e a cheirar mal — só para eu poder apreciar portugal. De seguida, aviámos caminho do pinhal até a praia do samouco (tanta piada triste feita com as gentes moucas). Adiante, perde-se a chave no carro para depressa nos apercebemos que estava apenas repousada ao lado do volante, gritos e stress casual. Descanso. Vieram muitas famílias. Vieram, vieira. Afinal ninguém vai para o paraíso com este feitio. Mas foi bonito e depois do momento de repouso decidimos que a seguir viria o Alentejo. Dormitar a meia estrada e continuar caminho pela manhã fresca.
Grândola, que terra in! Entre o belo repasto num hotel e camarotes ao lado da estação de comboio, foi o segundo. Eram menos 30 euros meus meninos. De manhã, levantar dinheiro para comer e pagar dividendos. Apercebemo-nos que um tal edificio fuscia ostentava um crono da Bienal de Portugal que ninguém sabe de onde veio nem para onde foi (eu pelo menos não, nem a Maria). Afinal é in só até Setembro, p'raí. Tiramos fotografias do in, imensas.
Pequeno almoço e recebo um telefonema (já é terça, dia de continuar viagem), afinal há um trabalho urgente para enviar a um cliente, pensavam que eu lá estava esta semana mas afinal não estou. Entro na junta de freguesia que tem um sinal wi-fi na porta. Peço passwords a uma senhora que me põe ao telefone com a responsável pelo departamento de informática. Recebo uma fotocópia com todas as passwords da freguesia. Biblioteca Municipal, viva. Quatro horas depois, ainda viva. Uma hora e meia para enviar 4 pdfs. Respiro.
A caminho do carro tento reafirmar o lado bom das férias, agora até quinta podemos descansar de verdade. Arrancamos, o carro está com um som muito estranho, não estava assim de manhã. Pois não? Não. Paramos 20 metros à frente. Há um mecânico que foi experimentar um carro e que uma hora depois, chega. Deve ser das válvulas diz o entendido. Um telefonema ao mecânico oficial do polo em questão há mais de 5 anos, que reclama que o alentejano não percebe nada. Venham para Lisboa. Devagarinho. Ok, vamos.
Se formos em quinta e quarta não está mal, quando se reduz é que faz barulho, ele disse que mau seria fazer ruído quando acelerasse. Ok. Chegamos a Lisboa e cheira a queimado. As mudanças estão muito duras e começa a ser difícil o pára-arranca dos semáforos entre o Largo do Rato e a Rua da Esperança. Essa, ainda estava lá. Continua a cheirar a queimado. Lugar encontrado, o carro cheira mal, e está quente.
Amanhã, chamamos o reboque.
Amanhã, chamamos o reboque.
5/30/2010
3/22/2010
3/21/2010
pior que terrível

Falo de uma maneira quase que engonhada quando sigo estes pensamentos disformes e no entanto não me calo. Devo ser, dos seres humanos que conheço, o que mais capacidade tem de aborrecer multidões. Ataco preferencialmente gentes acabadas de conhecer, sobre as quais nada sei e que pelos visto não quero saber. Ponho-me na boca de qualquer lobo e descoso-me sem perceber sequer se merece o esforço de raciocínios tão complexos. Há vezes que devia desatar por aí à porrada, e em vez de usar a língua para espalhar o parvoeira, utilizava os punhos. Quem sabe se assim subia na popularidade. E quando falassem de mim, não se referiam mais àquela chata, mas àquela cujos punhos causavam o terror à velocidade da luz, o espanto, o medo e o respeito da mole lisboeta. Estou muito farta desta cidade. Ainda hoje fui ao inferno das esplanadas à beira rio e além de passar por motins execráveis de pessoas com sobrenome tia, dei por mim a ser assaltada por um terrível mau humor. Pior só quando descobri que lá deixei um belo casaco de malha que me terá custado para lá de 30 euros. Telefonei, e sem fé na falta de escrúpulos que me atendeu, perguntei: Encontraram? Claro que que quando desliguei disse à Maria, Nunca mais lá volto!
3/18/2010
11/16/2009
9/06/2009
des-compliquemos

Quero flores neorealistas e toalhas de cozinha para não pensar na conversa da tempestade. E se me sento nas escadas é porque me obrigam e porque a Lisboa dos velhos caquéticos não acorda. Venham chamar-me adolescente para ver se não apanham nas trombas. Quem julgam que são estes catraios trintões?
Estúpido viço dos vinte anos. Se não cuidar do meu mau feitio nem as paredes me aturam, como o outro a quem ninguém quer ouvir. E se não deixar de beber vinho e vodka e cerveja, nunca mais serei capaz de escrever duas frases de seguida nestas manhãs invisuais. Acho que fico a falar melhor estrangeiro e tudo.
A simplicidade passa por ser domingo. E se é domingo, deveria estar contigo. A vida tem que ser descomplicada meus senhores. Como as flores e as toalhas de cozinha.
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