À espera dos dias ao mesmo tempo que me desiquilibro. Enquanto espero pelos dias que não chegam, outros dias passam. Sem parar. No entanto, parece que os dias que ando a aguardar, demoram eternidades. É o tempo do não tempo. Deprimo. Apenas o faço por causa da tal maldição mensal, os chavões de ser feliz e o caralho nestes dias não funcionam e entro em profunda melancolia com o estado do tempo, o estado do soalho, o estado do trabalho, o estado do Estado e o estado de mim própria. É um desequilíbrio incontornável que apenas se espera que aconteça, todos os meses. Entretanto, o tempo passa. Passa, nada! O sacana foge-me à quatro ou cinco meses e ainda não sei a puta de um corno. Ninguém me diz se ganhei, ou não, o direito de emigrar com o dinheiro dos contribuintes. Isto apoquenta-me, aborrece-me e sobretudo, enoja-me. Enjoa saber-me dependente do Estado, da gente, do dinheiro. Dependente, apenas para saber o que fazer. Porque vejamos, eu vou mandar-me para o bilhar grande, não tarda. Farta de cá estar, estou eu. Mas não de ti. De ti nunca, meu velho. Nunca nem jamais. Mas o equilíbrio é tão dificil que eu diria, impossível. Quero e não quero, espero e não espero, aguardo e não aguardo, sinto e não sinto. E tudo isto, dá-me vómitos.
6/04/2011
1/07/2011
1/05/2011
12/21/2010
Reflexão contígua
Quando vejo na minha escrita uma ode ao contrário à mais que querida cidade de Ulisses, prevejo um abandono futuro da mesma. Para bem de ambas.
Prevejo que sejas trocada por um falante francês ou inglês. Ou quem sabe, Bora-Bora.
12/20/2010
Já me sinto melhor.

E deixam-me assim, completamente vazia, arreada de sentido e com esta merda aos pés. Logo agora que já não sei ou não consigo escrever. É o que dá só ler em estrangeiro. Há-de levar-me longe esta mania lá de fora.
Não quero trabalhar, não quero comer, não quero sequer sentir a porcaria do teu cheiro. Quero continuar na miséria comum em que estava antes de me deparar com isto. Assenta em breve, sim, mas vou queixar-me antes. E muito, que isto dá sempre boa escrita, além de tornar o exorcismo mais eficaz.
Reciprocidade.
Zero. Zero de vivência comum que não seja comparticipada. Zero em semelhanças de carácter e/ou vivências (a não ser numa adolescência breve e tardia). Zero direcções futuras. Nem um pequeno almoço em comum.
Algo que motive a continuação destes serões mal encarados? Muito pouco a nada.
Mais,
Continuo a não trabalhar e apetece-me partir todos os ossos do teu corpo para depois entregá-los aos gatos da Madragoa. Mentira.
Cidade maldita, atrasada mental.
10/10/2010
Deste queixume congénito *

Quantas de mim serão precisas para me arrancar do chão? Provavelmente nenhuma. O chão é que está muito mal parado. Eu já cá andava, na horizontal.
Desde aquela última vez, continuo a falar demais, a pouco fazer e a ter as pernas pesadas. As varizes, que desenvolvi no tempo do windsurf, apenas agravam.
Numa boca cheia de maldicências, um copo de vinho, uma cerveja, um digestivo/aperitivo, tornam muitos dias, mais interessantes.
O amor está lá. A vontade também, mas quero muito ir embora, e que ele venha atrás, claro.
Viciada em adrenalina, ambientes pressurizados e imagens em movimento, dificilmente fico satisfeita com o cenário actual.
* viagens diárias com demasiados minutos no autocarro 748 - destino Miraflores - a braços com uma humidade cavernosa, fazem muito por mim e este humor de cão.
8/09/2010
Olha,
fui de férias, mas primeiro tive que trabalhar. Mas o trabalho não acabou realmente, e eu que decidi entrar de férias na quinta — de facto (porque não tenho acordos com ninguém) — só saí de Lisboa no sábado. Ora segunda, já depois daquela quinta sem férias e do fim de semana de hotel em troca de trabalho, ainda estava a trabalhar. Até à uma da tarde, quase.
Com a paz arrancada do SPA de domingo (3 horas de água quente, morna e muitas vezes fria) decidimos agarrar a missão praia, com unhas e dentes. Passámos na Vieira — coisa horrível, pobre, populosa e a cheirar mal — só para eu poder apreciar portugal. De seguida, aviámos caminho do pinhal até a praia do samouco (tanta piada triste feita com as gentes moucas). Adiante, perde-se a chave no carro para depressa nos apercebemos que estava apenas repousada ao lado do volante, gritos e stress casual. Descanso. Vieram muitas famílias. Vieram, vieira. Afinal ninguém vai para o paraíso com este feitio. Mas foi bonito e depois do momento de repouso decidimos que a seguir viria o Alentejo. Dormitar a meia estrada e continuar caminho pela manhã fresca.
Grândola, que terra in! Entre o belo repasto num hotel e camarotes ao lado da estação de comboio, foi o segundo. Eram menos 30 euros meus meninos. De manhã, levantar dinheiro para comer e pagar dividendos. Apercebemo-nos que um tal edificio fuscia ostentava um crono da Bienal de Portugal que ninguém sabe de onde veio nem para onde foi (eu pelo menos não, nem a Maria). Afinal é in só até Setembro, p'raí. Tiramos fotografias do in, imensas.
Pequeno almoço e recebo um telefonema (já é terça, dia de continuar viagem), afinal há um trabalho urgente para enviar a um cliente, pensavam que eu lá estava esta semana mas afinal não estou. Entro na junta de freguesia que tem um sinal wi-fi na porta. Peço passwords a uma senhora que me põe ao telefone com a responsável pelo departamento de informática. Recebo uma fotocópia com todas as passwords da freguesia. Biblioteca Municipal, viva. Quatro horas depois, ainda viva. Uma hora e meia para enviar 4 pdfs. Respiro.
A caminho do carro tento reafirmar o lado bom das férias, agora até quinta podemos descansar de verdade. Arrancamos, o carro está com um som muito estranho, não estava assim de manhã. Pois não? Não. Paramos 20 metros à frente. Há um mecânico que foi experimentar um carro e que uma hora depois, chega. Deve ser das válvulas diz o entendido. Um telefonema ao mecânico oficial do polo em questão há mais de 5 anos, que reclama que o alentejano não percebe nada. Venham para Lisboa. Devagarinho. Ok, vamos.
Se formos em quinta e quarta não está mal, quando se reduz é que faz barulho, ele disse que mau seria fazer ruído quando acelerasse. Ok. Chegamos a Lisboa e cheira a queimado. As mudanças estão muito duras e começa a ser difícil o pára-arranca dos semáforos entre o Largo do Rato e a Rua da Esperança. Essa, ainda estava lá. Continua a cheirar a queimado. Lugar encontrado, o carro cheira mal, e está quente.
Amanhã, chamamos o reboque.
Amanhã, chamamos o reboque.
5/30/2010
Subscribe to:
Posts (Atom)

